O Tráfico de Arte no Guadiana (TANG) vai ocupar as ruas e a zona ribeirinha de Alcoutim nos dias 13 e 14 de novembro, com instalações, projeções e teatro de rua. A iniciativa reúne artistas portugueses e espanhóis para aproximar a arte do público e recuperar a memória comum deste território fronteiriço.
O programa cruza criação contemporânea, património e participação comunitária, anunciou a Câmara de Alcoutim num comunicado citado pela Lusa.
“Ligado ao universo do Festival do Contrabando, o TANG dá continuidade à ideia de transformar um território de fronteira num lugar de encontro e de circulação de ideias, pessoas e expressões artísticas”, explica a autarquia.
Cheias do Guadiana dão origem a instalação artística
A programação de 13 de novembro inclui, às 17:00, a apresentação de “Garrafas Cheias — The Bright Side of the Flood”, na Pérgula da Escultura do Pescador.
A instalação do Artelier, de Nuno Paulino, parte das cheias registadas no concelho durante o inverno passado. Autor, dramaturgo, construtor de maquinaria cénica e intérprete, o criador propõe uma ligação entre a memória desses acontecimentos e a imaginação.
“A proposta parte de duas perguntas: que mensagens poderiam ter existido durante a aflição das cheias? E se fosse possível descobri-las através dos rótulos de uma garrafa de água do rio?”, adianta a Câmara, que apresenta o Guadiana como um lugar de histórias e experiências humanas.
Às 17:30, a fachada da Capela de Santo António recebe “ContraFronteira”, uma instalação de videomapping e som da autoria de TNR Studios. A proposta combina imagens projetadas, arquitetura e narrativas associadas aos lugares.
Mural e estátua de contrabandista inaugurados no sábado
No dia 14 de novembro serão inauguradas duas obras no espaço público. Na Pousada da Juventude ficará o mural “Huellas en Movimiento — Pegadas em Movimento”, do artista sevilhano Sérgio Gómez.
Na frente ribeirinha será apresentada “Carrego do Guadiana”, uma estátua de contrabandista criada por Martín Lagares.
Entre as 17:30 e as 18:30, o Cais da Vila de Alcoutim acolhe “Até ao Cais das Barcas”, pelo Artelier. O espetáculo reúne teatro de rua, vídeo, música, fogo preso e participação comunitária.
Fórum debate futuro do território através da cultura
O primeiro dia do TANG articula-se com o Fórum “Sentir, Enraizar e Sustentar”, no Espaço Guadiana, dedicado à reflexão sobre o futuro do território e à sua vivência através da cultura.
Situada na margem do Guadiana, a cerca de 40 quilómetros da foz, Alcoutim encontra-se em frente à localidade espanhola de Sanlúcar de Guadiana, na província de Huelva, Andaluzia. Essa proximidade à fronteira está no centro das propostas do evento.
Segundo a autarquia, o programa procura transformar o rio, a zona ribeirinha e as ruas em “espaços de criação e descoberta”, aproximando as práticas artísticas do quotidiano dos moradores e dos visitantes.
Evento procura atrair visitas fora da época alta
A Câmara destaca também a realização da iniciativa fora da época alta do turismo algarvio, considerando que pode criar “novos motivos de visita e oportunidades para a restauração, o alojamento e o comércio local”.
Para o município, a programação constitui “uma forma de preservar memórias, estimular novas leituras da paisagem e criar encontros entre artistas, comunidade e visitantes”.


Leia também: Alcoutim transforma-se num palco de arte com videomapping, teatro de rua e homenagem ao contrabando
















