O urbanista António Manuel Góis Nóbrega promove, em parceria com o Município de Albufeira e outras entidades, uma conferência dedicada à prevenção de sismos, tsunamis e outras catástrofes, que terá lugar no próximo dia 27 de novembro, entre as 9:00 e as 17:00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira.
A iniciativa tem como principal objetivo apresentar o Sistema Integrado de Prevenção e Reação a Sismos e Outras Catástrofes (SIPRS), um projeto que pretende reforçar a proteção das populações, através da avaliação da vulnerabilidade dos edifícios, da preparação das infraestruturas essenciais e da articulação entre diferentes entidades responsáveis pela prevenção e resposta a situações de emergência.
Inicialmente prevista para o Hotel Alísios, a conferência foi transferida para o Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira, por sugestão do presidente da autarquia, no âmbito da parceria estabelecida com a organização.
Segundo António Nóbrega, tanto a apresentação como a implementação do SIPRS não têm fins lucrativos, procurando contribuir para uma resposta mais eficaz aos riscos associados a fenómenos sísmicos e outras situações de catástrofe.
O projeto surge da preocupação do promotor com a capacidade de prevenção e reação perante acontecimentos de grande dimensão, defendendo uma maior antecipação dos riscos e a preparação dos meios necessários à proteção de pessoas e bens.
Avaliação de hospitais, escolas e infraestruturas críticas entre as prioridades
Uma das principais propostas do SIPRS passa pela avaliação prévia da vulnerabilidade sísmica de edifícios públicos e privados, com especial atenção às infraestruturas consideradas essenciais em situações de emergência.
O sistema prevê a elaboração de Relatórios de Avaliação da Vulnerabilidade Sísmica (RAVS), nomeadamente em hospitais, escolas, instalações de socorro e emergência, edifícios de entidades públicas e infraestruturas utilizadas pelas autoridades policiais e, eventualmente, militares.
A proposta contempla igualmente a avaliação da capacidade de resposta das organizações e dos equipamentos de emergência, incluindo geradores e sistemas de comunicação digital por satélite, considerados relevantes para assegurar o funcionamento dos serviços em cenários de catástrofe.
Outro dos objetivos consiste em identificar antecipadamente as fragilidades do edificado existente, tendo em consideração as normas de segurança em vigor à data da construção e a localização dos imóveis em zonas de maior risco.
O projeto pretende ainda analisar as características dos solos e subsolos e a sua influência nos danos que poderão resultar de um sismo de elevada intensidade.
No Algarve, uma das prioridades apontadas passa pela identificação e pelo mapeamento de falhas tectónicas e de áreas de risco acrescido, de modo a permitir a definição de medidas preventivas adequadas às características de cada território.
Inteligência artificial e seguros integram propostas de resposta a catástrofes
A utilização de ferramentas de inteligência artificial constitui outro dos temas previstos para a conferência, com a organização a defender o aproveitamento destas tecnologias na identificação de riscos, no acompanhamento de fenómenos sísmicos e na resposta a situações de emergência.
O SIPRS pretende articular informação geográfica, conhecimento científico e tecnologias de deteção e alerta com os serviços de proteção civil, saúde, comunicações e gestão de infraestruturas críticas.
Entre as matérias em análise estarão também os mecanismos de financiamento nacionais e internacionais destinados à recuperação e reconstrução de edifícios e equipamentos afetados por catástrofes.
O projeto prevê ainda desenvolver, em colaboração com a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), propostas de seguros específicos que incentivem a avaliação técnica da resistência sísmica dos edifícios.
A organização considera que o setor segurador poderá desempenhar um papel relevante não apenas na recuperação dos prejuízos, mas também na promoção de medidas preventivas capazes de reduzir os riscos e reforçar a segurança das construções.
Outro dos assuntos em discussão será a necessidade de formação especializada para profissionais que possam intervir em situações de catástrofe, nomeadamente equipas médicas, operadores de máquinas pesadas da construção civil e profissionais responsáveis pela utilização de drones na avaliação de danos e localização de vítimas.
A organização pretende recolher contributos de profissionais e entidades com experiência nas áreas da prevenção, socorro, salvamento e reconstrução, procurando identificar medidas que possam ser aplicadas antes da ocorrência de situações de emergência.
Conferência pretende reunir entidades ligadas à saúde, engenharia e proteção civil
Para a apresentação do SIPRS serão convidadas diversas instituições e organizações com intervenção nas áreas da segurança, saúde, construção, ordenamento do território e comunicações.
Entre as entidades a convidar encontram-se a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Arquitetos, a Ordem dos Geógrafos, a Cruz Vermelha Portuguesa e a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
A lista inclui ainda a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Direção-Geral do Território e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.
Estão igualmente previstos convites a especialistas nacionais em inteligência artificial aplicada ao território e a municípios localizados em zonas consideradas particularmente sensíveis ao risco sísmico.
A conferência integra uma iniciativa promovida por António Nóbrega, que desenvolve também, em parceria com o Município de Albufeira, um ciclo de conferências dedicado à habitação e à qualidade de vida.
Preparação antecipada e articulação entre entidades consideradas essenciais
Além da avaliação das construções e dos equipamentos de emergência, o SIPRS pretende abordar as condições necessárias para assegurar o socorro, o salvamento e a sobrevivência das populações após uma catástrofe.
Entre as áreas identificadas pela organização encontram-se a medicina de catástrofe, a intervenção em edifícios colapsados ou danificados, as comunicações utilizadas nas operações de salvamento e a disponibilização de recursos de alojamento e sobrevivência.
A formação antecipada dos profissionais envolvidos nestas operações constitui uma das preocupações do promotor, que considera insuficiente preparar os meios humanos apenas depois da ocorrência de um fenómeno de grandes dimensões.
Neste contexto, a conferência pretende reunir experiências de profissionais que trabalham na prevenção e de equipas que já participaram em operações de emergência, procurando recolher contributos para melhorar os procedimentos de resposta.
A organização defende ainda a necessidade de articular diferentes especialidades técnicas e científicas, desde a engenharia e a saúde até à proteção civil e às comunicações, para assegurar uma intervenção coordenada em situações de risco.
O projeto prevê igualmente analisar as condições de recuperação das áreas afetadas, incluindo as necessidades de reconstrução do edificado e de reposição das infraestruturas essenciais.
A iniciativa conta com o Município de Albufeira e a Alísios SA/Winds como parceiros, tendo o Postal do Algarve e o DiariOnline – Região Sul como parceiros de comunicação.
“Salvando uma única vida, todo o esforço terá valido a pena”, sublinha António Nóbrega.
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