No Algarve, a gastronomia é muito mais do que peixe grelhado e marisco fresco. Nas zonas serranas do sul, escondem-se verdadeiras preciosidades culinárias que têm atravessado gerações, preservadas com orgulho pelas comunidades locais. Entre aromas intensos, ingredientes simples e métodos de confeção que respeitam o ritmo da tradição, há receitas que contam histórias, unem famílias e fazem parte da identidade de uma terra, este bolo é uma delas.
Reconhecimento oficial publicado em despacho
O Bolo de Tacho, uma especialidade típica da serra algarvia, acaba de ser oficialmente reconhecido como parte integrante do património cultural imaterial português. A decisão foi publicada em Diário da República.
Este reconhecimento surge na sequência de um despacho assinado a 26 de março de 2025, após proposta da Direção-Geral do Património Cultural. O documento confirma a inscrição do Bolo de Tacho no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Doce representa mais do que uma receita
A medida fundamenta-se na importância deste doce enquanto expressão viva da identidade local e reflexo dos costumes e tradições da comunidade de Monchique, que tem vindo a manter viva a receita ao longo das gerações.
Importância cultural destacada pelas autoridades
De acordo com o Património Cultural, IP, esta inclusão representa o reconhecimento do valor cultural de práticas gastronómicas que resultam de processos sociais e históricos únicos. O organismo salienta o papel essencial das comunidades na preservação destes saberes.
Processo envolveu consulta pública alargada
Segunda a agência Lusa, antes da decisão final, o processo passou por uma fase de consulta pública, com duração de 30 dias, tendo tido início a 13 de janeiro de 2025. Durante esse período, os interessados puderam pronunciar-se sobre a proposta.
Avaliação técnica confirmou o valor da candidatura
Findo o prazo da consulta, o instituto responsável dispôs de 120 dias para avaliar as contribuições recebidas e decidir sobre a inscrição. A validação do processo ficou assim concluída com a publicação oficial do aviso.
Origens ligadas ao quotidiano serrano
A origem desta iguaria está profundamente enraizada na vida comunitária de Monchique. Mais do que um simples bolo, trata-se de uma herança cultural que acompanhou gerações em momentos festivos e de convívio.
Recomendamos: Não se distraia a pedir: há uma nova regra nos restaurantes McDonald’s em Portugal
Nome varia consoante a tradição local
Conhecido localmente também como Bolo de Maio ou Bolo de Milho, este doce destaca-se pela simplicidade dos seus ingredientes principais, todos provenientes da região: farinha de milho, azeite, mel e banha de porco.
Receitas adaptam-se ao gosto de cada família
Para além da base tradicional, a receita admite variações conforme o gosto de quem a prepara. Entre os ingredientes opcionais mais usados estão o café, o cacau em pó, as especiarias, o limão e o chá de bella-luísa.
Sabor e textura mudam consoante a mão que o faz
Essas variações fazem com que cada versão do Bolo de Tacho tenha um sabor e uma textura únicos, o que reflecte o carácter artesanal e familiar da sua preparação. Em cada casa, a receita ganha um toque próprio.
Tradição associada ao mês de maio
Segundo informações da Rede de Museus do Algarve, a confecção deste bolo estava associada ao mês de maio. Era nesta altura que se realizavam os populares desmaios, encontros e merendas organizados na serra.
Durante esses piqueniques, o Bolo de Tacho assumia um papel central. Tornava-se símbolo de partilha e celebração, sendo preparado com antecedência e transportado pelas famílias até aos locais dos festejos.
Valorização da cultura alimentar local
A valorização de elementos como este é fundamental para preservar a diversidade cultural do país. As tradições gastronómicas, em particular, têm um papel de destaque no modo como as comunidades se reconhecem e se expressam.
Distinção reforça identidade e continuidade
Com esta distinção, o Bolo de Tacho junta-se a outras manifestações do património imaterial português, ganhando um novo fôlego para continuar a ser transmitido, confecionado e apreciado pelas gerações futuras.
Leia também: Aprenda o truque alemão simples e económico para acabar com a humidade nas paredes