A Direção-Geral da Saúde (DGS) revelou que foram confirmados mais nove casos de infeção humana pelo vírus Monkeypox em Portugal, subindo para 14 o total de casos confirmados.
Os novos casos foram confirmados pelo Instituto Doutor Ricardo Jorge (INSA) ao final da tarde desta quarta-feira, “existindo ainda duas amostras em análise”, segundo o comunicado da DGS.
No que toca aos restantes casos suspeitos, as amostras ainda serão remetidas para análise pelo INSA.
A DGS refere ainda que os casos identificados “mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”.
Neste momento, afirma no comunicado, “decorrem ainda os inquéritos epidemiológicos, com o objetivo de identificar cadeias de transmissão e potenciais novos casos e respetivos contactos”.
O vírus da varíola dos macacos é semelhante ao da varíola, erradicada em 1980.
Os casos em Portugal foram reportados na região de Lisboa e Vale do Tejo e os suspeitos, até agora, concentram-se na mesma zona.
A autoridade de saúde apela às pessoas que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, para procurar aconselhamento clínico.
Recomenda ainda que, “perante sintomas suspeitos, o indivíduo deverá abster-se de contactos físicos diretos”, explicando que “a abordagem clínica não requer tratamento específico, sendo a doença habitualmente autolimitada em semanas”.
COMO SE TRANSMITE?
A varíola dos macacos é transmitida através do contacto com animais ou por contacto próximo com pessoas infetadas ou materiais contaminados. Trata-se de uma doença rara e que não se dissemina facilmente entre humanos.
A maior forma de contágio é o contacto com as lesões cutâneas, explica a médica infecciologista Margarida Tavares, e por isso, estas, devem estar protegidas.
Margarida Tavares afirma que a via de transmissão sexual “não está descrita classicamente”, mas como a doença se “transmite por contacto próximo, íntimo e prolongado”, a transmissão por via sexual é “plausível”.
Também é possível transmissão por contacto com objetos “muito contaminados com o vírus”, por exemplo roupas de cama, banho ou mesmo as próprias roupas.
A varíola dos macacos partilha ainda algumas formas de contágio com as infeções respiratórias, estando também descrita a possibilidade de transmissão aérea, sobretudo por gotículas grandes.
Esta é a primeira vez que é detetada em Portugal infeção pelo vírus Monkeypox.
Em 2003 foram reportados nos Estados Unidos da América algumas dezenas de casos. Também o Reino Unido reportou, recentemente, casos semelhantes de lesões ulcerativas, com a confirmação de infeção por vírus Monkeypox.
A DGS e o INSA mantêm-se a acompanhar a situação a nível nacional e em articulação com as instituições europeias.
- Texto: SIC Notícias, televisão parceira do POSTAL