Saúde

Sim, o sol e as temperaturas elevadas podem travar disseminação da covid-19

Expresso

02-05-2021

É um novo estudo recente publicado no jornal científico "Scientific Reports" que defende a sazonalidade do vírus: "doença desaparecerá durante o verão ou não afetará países próximos do Equador"

Foto D.R.

Não é a primeira vez que as condições climatéricas são associadas a uma maior ou menor disseminação da covid-19. Mas agora há novos estudos científicos a apontarem para esta realidade.

As temperaturas altas e os climas tropicais podem mesmo ter um papel de relevo na forma como a doença se propaga, avança um grupo de investigadores num trabalho publicado a 27 de abril no jornal científico "Scientific Reports".

De acordo com o estudo, locais com temperaturas quentes e longas horas de luz solar (onde se incluem não só os mais próximos da linha do equador como também países com verões mais longos) tiveram uma taxa mais baixa de casos de covid-19, quando comparados com territórios com climas mais frios.

Segundo estes, os resultados são consistentes, mesmo depois de cruzados com outros fatores capazes de influenciar os resultados (como o nível de urbanização do país e a intensidade da testagem).

Embora sejam consideradas boas notícias para determinadas regiões, os autores frisam que isso não significa que o verão eliminará a covid-19, atuando antes como uma vantagem no combate à doença. "As temperaturas mais altas e a radiação ultravioleta mais intensa durante o verão serão capazes de apoiar as medidas de saúde pública [em vigor] para conter o SARS-CoV-2", o coronavírus causador da covid-19. "Os nossos resultados não implicam que a doença desaparecerá durante o verão ou que esta não afetará países próximos do Equador", frisam na mesma publicação.

Na elaboração do estudo, os investigadores analisaram informações de 117 países, usando dados sobre a propagação da covid-19 desde o início da pandemia até 9 de janeiro deste ano, recorrendo a métodos estatísticos para perceber a relação entre a latitude de um país (que afeta a quantidade de luz solar que recebe, bem como a temperatura e a humidade) e o seu nível de propagação.

Com estes dados cruzaram ainda informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — sobre viagens aéreas, despesas com saúde, proporção de adultos mais velhos para jovens e o desenvolvimento económico — para controlar os fatores que poderiam afetar o quão duramente um país é atingido pela doença.


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