A Edição Papel

Marcelo nomeia Lídia Jorge para o Conselho de Estado

21-03-2021

É natural de Boliqueime e umas das romancistas de maior sucesso na literatura portuguesa contemporânea

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nomeou a escritora Lídia Jorge para o Conselho de Estado e renomeou os quatro conselheiros do seu anterior mandato, Lobo Xavier, Marques Mendes, Leonor Beleza e António Damásio.

Estas nomeações foram divulgadas no sítio oficial da Presidência da República na Internet, ao final do primeiro dia do segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como chefe de Estado.

De acordo com a Constituição da República Portuguesa, o Conselho de Estado, órgão político de consulta presidencial, é composto por “cinco cidadãos designados pelo Presidente da República pelo período correspondente à duração do seu mandato”, e também por cinco eleitos pela Assembleia da República pelo período correspondente ao da legislatura, além dos membros por inerência.

No início do seu anterior mandato, Marcelo Rebelo de Sousa nomeou para o Conselho de Estado António Lobo Xavier, Luís Marques Mendes, Leonor Beleza, Eduardo Lourenço e António Guterres, que renunciou ao seu lugar neste órgão após ser eleito secretário-geral das Nações Unidas, tendo sido substituído por António Damásio.

O professor e ensaísta Eduardo Lourenço morreu em 1 de dezembro do ano passado, aos 97 anos, e não foi substituído como conselheiro de Estado.

Universidade do Algarve congratula-se

A Universidade do Algarve congratulou-se com a nomeação da escritora Lídia Jorge, Doutora Honoris Causa pela UAlg, para o Conselho de Estado.

Para o reitor Paulo Águas, “a sua ligação à UAlg, além de sentimental, por ser a Universidade da região à qual pertence por coração, é também uma ligação de proximidade porque esta Universidade fez questão de repartir com Lídia Jorge as suas insígnias”.

A sua colaboração com a academia algarvia tem-se verificado a vários níveis. Além de Doutora Honoris Causa em Literatura (2010), foi membro do Conselho Geral (2009 a 2016) e integra o júri do Prémio Manuel Gomes Guerreiro, que visa galardoar, anualmente, uma obra publicada, livro ou tese de doutoramento, que contribua para o desenvolvimento científico numa das áreas de conhecimento da UAlg.

Quem é Lídia Jorge

É natural de Boliqueime, mas passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique. Formou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Foi professora do Ensino Secundário e já escreveu mais de 20 livros editados em várias línguas, entre os quais romances, antologias de contos, e uma peça de teatro.

É umas das romancistas de maior sucesso na literatura portuguesa contemporânea. Escreveu várias obras como O Dia Dos Prodígios (1980), O Cais das Merendas (1982, Prémio Município de Lisboa), Notícia da Cidade Silvestre (1984), A Costa dos Murmúrios (1988), A Última Dona (1992), O Jardim Sem Limites (1995), O Vale da Paixão (1998), O Vento Assobiando nas Gruas (2002), o conto A Instrumentalina (1992), e a peça de teatro A Maçon. Ao longo da sua carreira recebeu inúmeros prémios, nomeadamente: Prémio Ricardo Malheiros (1980), Prémio Literário Município de Lisboa (1982, 1984), Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa (1995, 1998), Prémio D. Dinis (1998), Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1999), Prémio Máxima de Literatura (1999), Prémio Jean Monet de Literatura Europeia, Escritor Europeu do Ano (2000), Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB (2002), Prémio Literário Casino da Póvoa (2004),

Lídia Jorge recebeu também o Prémio Internacional Albatroz de Literatura da Fundação Günter Grass (2006), Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura (2014), Prémio Vergílio Ferreira (2015), Prémio Urbano Tavares Rodrigues (2015), XXIV Grande Prémio de Literatura (2019), e o Prémio da Feira do Livro de Guadalajara em Línguas Românicas (2020). Foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (9 de março de 2005) e com a distinção de Dama da Ordem das Artes e das Letras de França (13 de abril de 2005).