Opinião

Chuva de meteoros e superlua iluminam o céu de maio

Fernando J.G. Pinheiro

03-05-2021

Olhe para o céu e aprecie os principais eventos astronómicos do mês

O quarto minguante sinaliza o início da terceira noite deste mês. Entre a madrugada dessa segunda-feira e a madrugada de dia 5 iremos ver como a Lua se terá deslocado da direita do planeta Saturno até situar-se ligeiramente abaixo do planeta Júpiter.

Nesta altura do ano o nosso planeta volta a cruzar-se com o rasto de poeiras e pequenas rochas que o cometa Halley foi libertando ao longo do seu percurso pelo Sistema Solar. Ao caírem no nosso planeta, muitos destes pequenos corpos parecer-nos-ão estrelas que surgem da vizinhança da estrela eta da constelação do Aquário, daí chamarmos a este evento chuva de estrelas Eta Aquáridas. O pico de atividade desta chuva de meteoros irá ocorrer no dia 6.

Embora na fase de maior atividade pudessem chegar a ser vistas no nosso hemisfério até três dezenas de meteoros por hora, a presença do quarto minguante e as fontes de poluição luminosa cada vez mais omnipresentes irão reduzir dramaticamente o número de objetos que chegaremos a ver.

Dia 11 terá lugar a Lua Nova. Um dia depois iremos ver o nosso satélite natural a pôr-se ao lado do planeta Vénus. Passado mais um dia a Lua já terá chegado até junto de Mercúrio. Este último planeta atingirá a sua maior elongação (afastamento relativamente ao Sol) para leste no dia 17.

De igual modo, entre as noites de dia 15 e 16 iremos ver a Lua deslocar-se da direita para a esquerda de Marte, planeta que se encontra atualmente junto à constelação dos Gémeos.

A seu turno, no início da noite de dia 19 terá lugar o quarto crescente junto à constelação do do Leão.

Já a Lua Cheia irá ocorrer ao final da manhã de dia 26. Por acontecer com poucas horas de diferença relativamente a sua chegada ao perigeu (ponto da órbita mais próximo da Terra) fará com que se trate de uma superlua cheia. Igualmente por nesta altura a sua estar na direção diametralmente oposta à do Sol, cruzando-se com a umbra terrestre (região da sombra donde toda o Sol é tapado) e dando assim origem a um eclipse lunar total. Infelizmente dada a hora, este eclipse não será observado no nosso país

No último sábado do mês (dia 29) dar-se-á a conjugação (maior aproximação) dos planetas Mercúrio e Vénus junto a ponta dos chifres da constelação do Touro. Nesta altura os dois planetas ficarão a pouco menos de meio grau (a largura da Lua) um do outro. Seguramente haja quem ganhe a vida imaginar consequências para tal género de eventos, mas estes não têm mais nenhuma implicação para além de nos darem uma boa desculpa para observar o céu.

Dia 31 a Lua voltará a ser vista ao lado de Saturno. Mas como ao longo do mês o Sol e destes dois astros foram-se deslocando no céu, esta efeméride já não coincidirá com o quarto minguante.

*Fernando J.G. Pinheiro é investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do CITEUC - Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra. Os seus domínios de especialização incluem a Astrofísica, Geomagnetismo e Meteorologia Espacial. Para além do seu trabalho de investigador, já exerceu funções nos orgãos sociais da Sociedade Portuguesa, e coordenou o grupo Solar System Science do CITEUC. Para além disto, Fernando Pinheiro é colaborador regular em atividades de divulgação científica.

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