Opinião

O uso do ilusionismo na promoção do ensino não formal da ciência

Filipe Monteiro

30-04-2021

O uso do ilusionismo em atividades de Ciência, ensinando a brincar, apela à imaginação das crianças e promove o desenvolvimento da sua capacidade de abstração, muitas vezes tão importante na apreensão de conceitos de ciência

A magia (ilusionismo) é uma arte que exerce enorme atrativo à maioria das pessoas pelo seu carácter do imaginário, pela aparente inexplicabilidade, pela surpresa do não previsto. A realidade é, ela própria, mágica, e quando um determinado assunto é assim apresentado, transforma-se numa fonte inesgotável de fascínio, de surpresa e de descoberta, uma pincelada de imaginação no quadro da realidade.

A magia resulta, assim, como uma ferramenta potenciadora da vontade de conhecer as temáticas em análise, promovendo o aprofundamento do seu estudo ou captando a atenção para um tópico que, para alguns, poderia resultar mais ou menos enfadonho ou mesmo desprovido de interesse. Por momentos, a assistência deixa-se levar na arte do mágicoque faz crer no impossível, neste mundo, com os pés no chão...! Só que, neste caso, tudo o que se vê é bem real, e até se pode explicar que não perde a graça (bem pelo contrário!). É a Natureza apresentada, para que se possa apreciar melhor.

O uso do ilusionismo em atividades de Ciência, ensinando a brincar, apela à imaginação das crianças e promove o desenvolvimento da sua capacidade de abstração, muitas vezes tão importante na apreensão de conceitos de ciência. É uma forma distinta (e distintiva) de integração da arte para despertar a curiosidade para a Ciência a partir do imaginário de um espetáculo de magia: querer saber como se cria um truque é o mesmo que querer conhecer os fenómenos naturais e perceber a Natureza no seu possível e impossível. Realizar “um efeito mágico” e explicar a ciência que lhe é inerente, estimula essa vontade de aprender, a vontade de querer ser mágico, de querer compreender tudo aquilo. E esta é a verdadeira magiaque está contida numefeito mágico!

A diversificação de conteúdos e formas de comunicar e divulgar ciência permite abranger um universo maior de interesses culturais. Os laboratórios das escolas são espaços onde se recriam experiências científicas para melhor compreensão dos fenómenos naturais e a sua apreensão teórica. A recriação artística (neste caso, com o recurso à magia) pode dar uma outra dimensão ao que se aprende com a Ciência e o seu universo. Importa constatar o que leva a querer saber e descobrir o prazer da descoberta. Senti-lo, só é possível a partir do imaginário de cada um, que pode e deve ser explorado também em espaços de enriquecimento cultural.

É, pois, verdadeiramente importante que nestes espaços de promoção cultural, a ciência se cruze e intrinque com o mundo das artes (música, teatro, magia e outras áreas de cultura), a fim de ser assumidamente considerada como uma área de conhecimento acessível, parte integrante da cultura geral de qualquer cidadão, em exercício pleno da cidadania. O STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics)a ser STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts and Mathematic).

Já Galeano dizia que somos feitos não só de átomos, mas também de histórias. Com este “casamento” entre a ciência e a magia (e os livros), a tais átomos e histórias “FMJ Mentes Mágicas” acrescentam também pequenas partículas de deslumbramento

*Filipe LS Monteiro nasceu em Belide, concelho de Condeixa-a-Nova, em Janeiro de 1966, sendo licenciado em Química Analítica pela Universidade de Aveiro desde 1988.

Iniciou a sua aventura literária em novembro de 2011 com o lançamento do primeiro livro infantil, “O Menino que Sonhava Salvar o Mundo”, presentemente na 8.ª Edição. Seguiu-se, em janeiro de 2014, o primeiro romance, “O Segredo da Serra dos Candeeiros”, agora na 2.ª Edição, e um ano depois (janeiro de 2015) um novo livro infantojuvenil, “Mestre Carbono, o Cientista”. Este livro, atualmente na 4.ª Edição, faz parte do Plano Nacional de Leitura, recomendado para “Apoio a Projetos e Temas Científico”s, para o 3.º, 4.º, 5.º e 6.º Anos. Em novembro de 2017 apresentou um novo livro infantojuvenil, “O Brinquedo que estava esquecido”.

Apaixonado pelo ilusionismo, é membro das duas principais associações em Portugal, o Clube Ilusionista Fenianose a Associação Portuguesa de Ilusionismo, integrando ainda a Associação MagicValongoe o Grupo Mágico de Sintra, colaborando regularmente na promoção desta nobre Arte.

Reunindo esta faceta de “mágico” e “homem da ciência”, produziu também um “Espetáculo de Ciência Mágica” que tem cativado o público que enche as salas onde o mesmo tem sido apresentado. Elaborou ainda (para escolas e centros de ciência) “A Química do Amor”, uma espécie de palestra onde fala das “armas químicas” ao dispor de Cupido. Tudo isto sempre com a magiaem pano de fundo…

Acompanhado pela esposa, Maria José Alves, parte integrante em todos estes projetos, têm percorrido o país realizando sessões de grande impacto por aliarem sempre aquilo a que chamaram de “Ciência, Magia e Livros: um casamento perfeito!”. Mais sobre o autor em www.filipelsmonteiro.com/