Opinião

Leitura da Semana: Uma Vida no Nosso Planeta, de David Attenborough

POSTAL

05-01-2021

Esta semana, Paulo Serra convida a ler um livro de Sir David Attenborough, um dos rostos mais conhecidos da televisão, que toma o seu mediatismo como uma responsabilidade acrescida de, aos 94 anos, nos dar um retrato do declínio numa vertiginosa espiral da biodiversidade como consequência da sobre-exploração dos recursos naturais do nosso planeta

Uma Vida no Nosso Planeta - O meu testemunho e a minha visão para o futuro de Sir David Attenborough, publicado pela Temas e Debates, acompanha o documentário com o mesmo título disponível na Netflix. Mas não se tome este livro como um balanço da vida deste naturalista, pois este senhor, um dos rostos mais conhecidos da televisão, toma o seu mediatismo como uma responsabilidade acrescida de, aos 94 anos, nos dar um retrato do declínio numa vertiginosa espiral da biodiversidade como consequência da sobre-exploração dos recursos naturais do nosso planeta.

David Attenborough, o conhecido apresentador dos documentários sobre a vida selvagem da BBC
Fotos D.R.

Dividido em três partes, o autor passa em revista, na primeira parte, os últimos 80 anos, de 1937 a 2020 (ano em que o livro foi terminado e publicado), começando quando aos 11 anos vagueava em busca de fósseis como amonites. Passando por diversos anos cruciais na sua vida, do seu percurso de estudante de Ciências Naturais a produtor da BBC, o autor cinge-se sobretudo à sua relação com o mundo natural, no que foi observando nas suas várias expedições, enquanto testemunha de um mundo que se tornou cada vez mais pequeno e menos selvagem, conforme o ser humano continuou a assumir que este era o seu planeta e podia explorar os seus recursos ilimitadamente. Na segunda parte, a mais breve, é feita uma projecção da evolução do nosso impacto no mundo nas próximas décadas, se não encontrarmos forma de aligeirar a nossa pegada. Na terceira parte, e a mais cativante, revela como podemos ajudar a repor a biodiversidade do planeta, de modo a alcançar uma estabilidade auto-sustentável, num período em que começámos finalmente a perceber que existe uma associação entre vírus emergentes e a morte do Planeta (p. 132). Com exemplos fascinantes de diversos países, como a Nova Zelândia, e com dados precisos e actuais de vários relatórios, o autor deixa-nos neste livro, de leitura fácil e acessível, um derradeiro apelo

Depois de anos a falar em sítios como as Nações Unidas ou o Fundo Monetário Internacional, o autor dirige-se directamente a cada um de nós numa chamada final à consciência que ainda podemos revelar nos mais pequenos passos de forma a salvar não o mundo mas a nós mesmos, pois o mundo, esse, é certo que encontrará forma de nos sobreviver, regenerando-se, como já aconteceu nas anteriores 5 extinções.

Uma nota final para este livro enquanto objecto. Um belíssimo livro, pesado, em papel reciclado, de páginas densas, olorosas, enriquecido por belíssimas fotografias coloridas e diversas outras ilustrações.