Opinião

Fiapos de Filosofia: Encetar mudanças

Crónica

04-09-2020

Neste artigo, Jorge Rosa, professor de Filosofia, faz uma análise da sociedade em tempos de Covid-19

Vamos encetar mudanças? Procurei-me nos tempos da cidade antiga, agitei os pressupostos teóricos, os pensamentos filosóficos, mas há que ser resiliente em tempo de Covid-19! Propus-me a uma análise conceptual entre os fragmentos de uma sociedade do seu tempo.

As preocupações são diárias, ultimatos sem fundamento, sorrisos falsos… surge a filosofia que incomoda face aos interrogatórios; levantam-se outros véus e a corrupção está no casarão antigo! Mestres em procura do primeiro princípio… a água, a água, o que propusera Tales de Mileto e surgiu assim a Filosofia! Os contextos de situação mostram aquilo que muitas pessoas, ainda que sob um escondimento, face a receios difamadores cortam as relações! Rejeição!

A Educação começa em casa, o conhecimento serve para o avanço social, a história apresenta os factos, são alicerces de aprendizagem, num processo dialéctico, versus espírito hegeliano. Ideias, que tentam legitimar uma falsa igualdade, por pedagogias impraticáveis, uma vez que tudo está em mudança, o que hoje é, amanhã já não o será, doravante é fundamental agir segundo o equilíbrio e a verdade, isto é, por respeito à lei, tendo em conta o imperativo categórico de Kant, como conceito central da sua deontologia, agir por dever. Fui debruçar-me pelas fascinações de Tavira… tantas recordações de menino e moço, nasci aqui, no Hospital antigo… este desapareceu! Fiquei a pensar que seria importante voltar a ter um hospital, para bem de todos… ideias de progresso; temos de ver o lado prático da Filosofia, ao serviço das necessidades da sociedade e não pensar em desumanidade; contudo as relações humanas nem sempre são fáceis. Lentamente o panorama começa a alterar-se… Vejo nas entrelinhas muito mais do que me dizes, sem qualquer documento oficializado. Vivemos na agonia das incertezas e contradições, uma vez que os resultados disso são observáveis, causam muitas dúvidas, à moda cartesiana, onde depois se descartam com argumentos falaciosos…Cem falácias. O homem contemporâneo parece andar numa crise de emoções e sentimentos face à ordem! Vejam a pseudo filosofia das redes sociais, esta é a indústria do pensar imediato, a imagem que faz mudar as mentes, tudo vai para o Instagran,Facebook, Youtube, Twitteretc., será esta a habilidade da cultura e filosofia de trazer por casa?

Os Fiapos de Filosofia dissipam-se, agora sem os alunos nem a rádio… saudades! Outros meios nos flancos do jornalismo… A escola vai começar… indagamos sobre a funcionalidade, turmas enormes… professores de risco… máscaras… não será a máscara da educação? Quem somos nós? Porque as coisas são assim? Causam-se medos… Covid-19 mais uma maldição, economia a ir abaixo! A essência do mundo está cheia de representações, falta-lhe a iluminação… é preciso evoluir, apesar do tempo ser a medida de todas as coisas, Protágoras (Sofista) dizia que era o Homem! Tantas inquietações… professores à beira de síndrome borderlineou transtorno de personalidade, o que me causa grande preocupação, mas afinal qual é a protecção dos docentes? Ensino online? Excesso de trabalho, de níveis… tu foste a aberração dos meus espantos filosóficos. Entenderás… Chega de paradoxos e ameaças, porque o empirismo foi fruto da execução dos dados sensoriais, lembras? A resolução passa por muitas medidas e posturas… encetamos mais fiapos na aventura do existir e nada de ditaduras, nada de censuras, nada de filtrar informações… a ditadura é a ausência de filosofia e a morte da democracia.