Os cereais integrais lideraram os aumentos de preço na última semana, numa altura em que o cabaz alimentar voltou a subir. De acordo com a DECO PROTeste, a variação semanal foi de 5,62 euros, o equivalente a mais 2,36%, elevando o custo total da cesta de 63 bens essenciais para 245,79 euros. A subida representa uma tendência contínua de agravamento dos preços, apesar da desaceleração da inflação em alguns setores.
Desde janeiro de 2022, quando a associação começou a acompanhar semanalmente os preços médios nos supermercados com loja online, o cabaz alimentar encareceu mais de 58 euros. Na altura, o custo total era de 187,70 euros. O aumento acumulado desde então é de quase 31%, com destaque para alguns alimentos cuja subida tem sido particularmente expressiva.
Cereais puxam pela fatura semanal
Na análise à variação semanal, os cereais integrais foram o produto com o maior salto percentual: uma subida de 26% em apenas sete dias, passando de 3,60 euros para 4,51 euros. Seguiram-se as salsichas Frankfurt, o azeite virgem extra e os medalhões de pescada. Também a curgete, a cebola e o peixe registaram aumentos mais discretos, mas ainda assim relevantes.
Segundo a DECO PROTeste, os fatores por detrás destas oscilações incluem os custos energéticos, os transportes e, em alguns casos, a escassez sazonal provocada por fenómenos climáticos que afetam a produção agrícola.
Subidas acumuladas em 2025 mostram novo padrão
Olhando para a variação desde o início de 2025, o café torrado moído encabeça a lista, com um aumento de 1,31 euros (mais 34%). A maçã Gala e os ovos também ficaram mais caros, embora com subidas mais moderadas. Ainda assim, os cereais integrais mantêm-se entre os produtos que mais encareceram desde janeiro.
Explica a associação de defesa do consumidor que esta nova onda de aumentos, apesar de menos abrupta do que em 2022 e 2023, tem impacto direto nas escolhas de quem faz contas à vida todas as semanas.
Preço homólogo: carne, peixe e legumes a subir
Em comparação com o mesmo período do ano passado, há mais sinais de pressão nos preços. O novilho para cozer, por exemplo, aumentou 2,62 euros num ano, fixando-se agora nos 11,49 euros por quilo. A alface frisada, a dourada e o robalo também ficaram mais caros, à semelhança dos ovos e dos cereais.
Segundo o mesmo relatório da DECO PROTeste, os produtos frescos têm sido os mais afetados por fatores externos, o que ajuda a explicar as subidas mais significativas no último ano.
Desde 2022, aumentos superam os 90% em alguns casos
Olhando para os dados acumulados desde o início da monitorização, há produtos que quase duplicaram de preço. O caso mais extremo é o da carne de novilho para cozer, que subiu 97% entre janeiro de 2022 e julho de 2025. O azeite virgem extra e o café moído também figuram entre os produtos com maiores variações, mas ficaram atrás dos cereais integrais na variação semanal.
Escreve a DECO PROTeste que a evolução dos preços é acompanhada todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior nas principais cadeias com loja online. A média por produto é somada, dando origem ao valor final do cabaz alimentar.
Apesar das flutuações pontuais, a tendência continua a ser de agravamento, o que obriga os consumidores a reajustar hábitos e a procurar alternativas para manter o equilíbrio no orçamento familiar.
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