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Governo britânico deixou em choque o turismo do Algarve

Expresso

03-06-2021

"Somos uma região segura e é preciso reforçar que o Algarve é o local mais seguro para passar férias”, defende António Pina, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve

Fotos D.R.

A decisão do governo britânico de passar Portugal da ‘lista verde’ de destinos turísticos para a ‘amarela’ (que obriga a quarentena, no regresso ao Reino Unido), tomada esta quinta-feira, deixou em choque o turismo do Algarve.

As perspetivas animadoras para o verão que se tinham criado no início de maio, com a inclusão do país nessa ‘lista verde’, invertem-se. E agora a região, onde cerca de 80% da economia depende direta ou indiretamente do turismo, prepara-se para mais um período complicado.

“É um duro revés, que naturalmente vai fazer-se sentir nas reservas, pelo menos nas próximas três semanas [a 21 de junho o governo britânico deve fazer nova revisão dos destinos de viagem], daquele que é o nosso principal mercado externo”, admite João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve.

“É também um rude golpe na confiança para os viajantes britânicos, naquela que seria a tomada de decisão sobre as férias, na medida em que é imprevisível quais vão ser as decisões do governo britânico sobre os destinos no futuro”, acrescenta o responsável, para quem a decisão é “lamentável” e “injusta”, quando Portugal, “segundo os dados do Centro Europeu para o Controlo e Prevenção de Doenças, está entre os três territórios europeus com melhor controlo da pandemia”.

“É um balde de água fria”, classifica Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). “Temos quase um ano e meio de inatividade, praticamente desde o início da pandemia. Tínhamos boas perspetivas, para este verão, com a procura do mercado nacional e o do Reino Unido. Esta decisão vem criar uma situação de incerteza entre os britânicos que tinham intenção de passar férias no estrangeiro. Não há garantias de nada”, refere o responsável da principal associação hoteleira algarvia, acrescentando que o impacto “não se vai limitar às próximas três semanas”.

Elidérico Viegas acredita ainda que houve motivações, para além da saúde pública, para a mudança do estatuto de Portugal: “Por detrás da decisão está o desejo do governo britânico, por motivos económicos, que os britânicos não viagem para o exterior”.

“Não compreendemos a decisão [do governo britânico], porque os números [de novos contágios] não a justificavam”, defende, por seu lado António Pina, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, que junta todos os municípios da região.

Para o também presidente da Câmara de Olhão, a passagem para a ‘lista amarela’ dos destinos de viagem do Reino Unido causa ainda “uma grande preocupação” em relação ao futuro. “Nestes últimos 15 dias, em que estivemos na ‘lista verde’, sentiu-se logo um fluxo de pessoas, que era bom que continuasse. Assim… vamos ter de continuar a trabalhar, procurar outros mercados, apostar no mercado nacional. Somos uma região segura e é preciso reforçar que o Algarve é o local mais seguro para passar férias”, conclui António Pina.


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