Desporto

Volta ao Algarve: Ivo Oliveira ainda tem Tóquio2020 "atravessado"

08-05-2021

Nunca foi fácil distinguir os ‘manos’ Oliveira, mas, nesta ‘Algarvia’, de máscara e óculos no rosto, a missão tornou-se simplesmente impossível sem o auxílio do dorsal que têm afixado nas costas

Foto D.R.

Ivo Oliveira vai ‘honrar’ hoje a sua camisola de campeão nacional no contrarrelógio da Volta ao Algarve em bicicleta, num “bom dia” para tentar destacar-se e ‘esquecer’ o não apuramento para Tóquio2020 na pista, que continua “atravessado”.

Nunca foi fácil distinguir os ‘manos’ Oliveira, mas, nesta ‘Algarvia’, de máscara e óculos no rosto, a missão tornou-se simplesmente impossível sem o auxílio do dorsal que têm afixado nas costas. No entanto, hoje, em Lagoa, não haverá engano possível, porque Ivo irá estar equipado com as cores nacionais, inerentes ao seu estatuto de campeão português de contrarrelógio.

“Hoje é um bom dia. Vamos ver como estão as pernas depois deste calor todo, é a primeira prova com estas temperaturas, vamos ver como recupero. Tento dar sempre o meu melhor com a camisola de campeão nacional”, disse à Lusa.

Os 20,3 quilómetros do tradicional ‘crono’ de Lagoa, local da quarta etapa da 47.ª edição da Volta ao Algarve, será o palco perfeito para o gaiense, de 24 anos, tentar dar uma alegria à sua equipa, que perdeu, na quinta-feira, o líder e principal candidato à vitória final, Rui Costa, devido a uma queda.

“Eu adoro correr em Portugal! Nós vínhamos com umas ambições tremendas, e o Rui acho que não havia dúvidas que na Fóia ia ‘rematar’. Tenho quase a certeza que ia ganhar a etapa, estava muito bem fisicamente durante a etapa, ia fácil. Aquela queda estragou os nossos planos, mas o importante é que ele esteja bem, não partiu nada, e que recupere estes dias. Nós vamos continuar com a ambição de tentar ganhar uma etapa”, assumiu.

Essa mesma ambição guia-o nesta fase da temporada, na qual espera estrear-se na Volta a França, depois de, no ano passado, ter conseguido aguentar-se “três semanas até bastante bem” numa grande Volta, a Vuelta, à qual chegou sem preparação específica.

Já o sonho da viagem até Tóquio2020, os Jogos Olímpicos adiados para este verão devido à pandemia de covid-19, ficou para trás, uma vez que, na sua opinião, os lugares, para as provas de estrada “já estão praticamente garantidos”.

“Vão levar a melhor equipa possível, entre o Nelson [Oliveira], o Rui [Costa], o João [Almeida], são os mais fortes para ir. E eu espero que eles façam uns grandes Jogos Olímpicos. Eu tinha o sonho na pista, ficou ali atravessado”, lembrou o campeão europeu de perseguição individual.

Quedas em momentos cruciais da qualificação do ciclismo de pista impediram, segundo Ivo, a concretização daquela meta há muito declarada pelos gémeos Oliveira.

“Custa falhar os Jogos por um lugar, é um bocado triste. Se não acontecessem as quedas, basicamente era só participar nas corridas e tínhamo-nos qualificado muito fácil. Infelizmente, aconteceram quedas um bocado graves em períodos críticos...”, lamentou o ciclista da UAE Emirates que, em abril de 2019, sofreu uma queda "grave" enquanto treinava e fraturou um osso na base do crânio.

Ultrapassado o ‘desgosto’, Ivo Oliveira já aponta ao futuro: “Paris2024? Na pista e na estrada, quem sabe!”.