Quem nunca aproveitou uma descida para conduzir em ponto morto, pensando que assim estaria a poupar combustível? E quem nunca se questionou se esta prática realmente resulta ou se é segura? Talvez já tenha ponderado sobre estas questões, mas, enquanto não tem a certeza, acaba por continuar a deixar o carro ao “ralenti” e seguir viagem.
Afinal, quando é indicado usar o ponto morto? A resposta é simples: em muito poucas situações. Na realidade, conduzir desta forma não só não poupa combustível como também compromete a segurança. Por isso, é essencial engatar uma mudança e abandonar o hábito de conduzir com o carro desengatado. O princípio é claro: o movimento do carro deve ser sustentado pelo motor. Assim, entre andar em ponto morto ou com uma mudança engatada, a escolha certa é sempre a segunda.
4 razões para evitar o ponto morto
Conduzir com o carro ao “ralenti” não só não ajuda a reduzir o consumo de combustível como apresenta outras desvantagens, desde questões de segurança até impactos no ambiente e na durabilidade dos componentes do carro, revela a Prio.
1. O ponto morto consome mais combustível?
Contrariamente ao que se pensa, conduzir sem mudança engatada não resulta em poupança de combustível. Nos carros com injeção eletrónica – presentes na maioria dos veículos modernos – o sistema corta a entrada de combustível quando o carro está com uma mudança engatada e sem acelerar. Isso permite que o veículo se mova sem consumir combustível.
Por outro lado, quando o carro está em ponto morto, o motor continua a necessitar de combustível para funcionar ao “ralenti”, anulando qualquer possibilidade de poupança. Já nos carros mais antigos, com carburador, embora o ponto morto possa reduzir ligeiramente o consumo em descidas, isso é compensado pelo desgaste adicional de outros componentes e pelos riscos acrescidos na condução.
2. Desgaste acelerado dos travões
Quando travamos em ponto morto, os travões suportam todo o esforço de desaceleração, o que provoca o sobreaquecimento do sistema e um desgaste mais rápido das pastilhas e dos discos. A consequência? Uma visita antecipada à oficina para substituir peças desgastadas.
3. Resposta mais lenta na travagem
Conduzir sem mudança engatada elimina o apoio do travão do motor, reduzindo a eficácia da travagem e aumentando o tempo de resposta do veículo. Esta limitação pode ser crítica em situações em que é necessário parar rapidamente.
4. Maior velocidade e menor aderência
Ao descer em ponto morto, o carro tende a ganhar mais velocidade e a perder aderência, especialmente em condições de chuva ou neve. A falta de controlo pode aumentar o risco de derrapagem ou aquaplanagem, tornando a condução significativamente mais perigosa.
Afinal, quando é seguro usar o ponto morto?
Deixar o carro em ponto morto só é aceitável numa situação específica: quando está parado no trânsito e o seu veículo não tem sistema start-stop. Mesmo quando estacionado, o carro deve estar engatado, com a mudança ajustada à inclinação do piso, para garantir segurança adicional.
Por isso, se pretende otimizar o consumo de combustível e garantir a sua segurança na estrada, mantenha sempre o carro engatado e evite esta prática comum. É uma mudança de hábito que fará a diferença.
Leia também: Estas aplicações do telemóvel podem esvaziar a sua conta bancária: veja como se proteger